segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

EScolha

Meu bem querer
Querer-te bem é tão bom
que até medo me dá
Fico nesse impasse
Será que é tão ruim deixar-se machucar?

Esse meu dilema
Uma esfinge deveria propor
Quão complexo deve ser
escolher ou não se deixar levar pelo amor?

Mais alto o salto, maior a queda
Cada vez que completa me sinto
por alguém tão especial que aparece
mais imagino o vazio que ficaria, vai que alguma coisa acontece...

E acontece, voluvel eu sou
você também... não somos, somente estamos
... e quando estamos tudo é tão bom
Que o que vem depois pode vir em alto e bom tom

Se já me tortura ter que escolher
o sabor do sorvete a tomar
imagine ponderar entre a dor e a delícia
do misterio de amar

E o mais engraçado disso tudo
É o tempo que gasto e fico a martelar
Quando o sentimento não dá escolha
Ele escolhe sozinho quando vem e quando vai passar

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Paz a rinho


Ao entender a força e coragem necessárias para seguir meu coração,
percebo como é dificil, com tanta coisa interna e externa
distinguir ao certo se é sua voz mesmo que me fala...
certeza que antes se instaurava em mim,
mas por olhares magoados me faz até duvidar.

E eu, transparente e translúcida
que sempre pensei ser
nos momentos que realmente importam, me calo
com medo de quebrar ao me mostrar
escolhendo assim que todos vejam a casca,
deixando o molusco que mora em mim e se machuca
sempre na sombra, a descansar

Se nesses momentos pudesse me escancarar
parar de fingir ser o espinho e mostrar a bruta flor
que mora em mim e que me guia, talvez fosse entendida..
entenderiam talvez que, se não me levanto para me despedir,
não é porque não me importo...
talvez seja porque simplismente não consiga os ver partir

Crescemos, dores novas desbravadas...
a dor da decisão, dor de não conseguir dizer adeus,
mas ao mesmo tempo não conseguir mudar o rumo
dor de não caber em si, e de ficar miudinho
dor de não querer ser, e de ser tudo ao mesmo tempo
dor de se aceitar...

Que quando sara vira amor, vira beleza
aquela de ver no céu a calmaria que se instaura após a tempestade
pureza do aprender, do distinguir

Continua observando o céu...
essas nuvens, tenho certeza
assim como todas as outras que já vieram
passarão

e eu?
Passarinho!

[por July Tilie]

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

RegAr

Tinha tanto pra lhe falar...
se ao menos você se importasse em ouvir..

Tinha tanto a te oferecer,
queria que você algum dia pudesse ver

E se entreTantos
você que escolho, escolhi,,, quem sabe até, me escolheu
é porque talvez seu maior defeito
seja o que no fundo, meu bem, me esmoreceu

Numa vida formada por padrões
que no fundo querem sempre me dar as mesmas lições

É você que surge, e desfaz
toda uma idéia que tinha do que me satisfaz

Sorrateiro vem,
assim como se vai
por ti meu sorriso brota
da mesma maneira que a lágrima cai

E se pensas que tudo isso que me deixa triste,
talvez não me conheça tão bem, meu bem

De tudo o que mais me entristece é
poder ter visto a bela flor nascer dentro de mim,
por ti

E ser também espectadora ao vê-la desaparecer, morrer, murchar...
não por maus-tratos, ou um pisar
e sim por falta de sua atenção ao não-regar

Como cor do som já diria: "Sim é como a flor, de água, ar, luz e calor
O amor precisa para viver, de emoção e alegria, e tem que regar todo dia..."

Se ao menos você tivesse os ouvido
Ah, mas é mesmo... eles não eram da sua época...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

maTriz

quando tudo se torna nada,
e quando nada é muito pouco
pretextos viram motivos
e já não há motivo forte o bastante
pra deixar pra depois

como um e um são três
fico onde me pus,
no lugar onde tudo se desfez...
a procura de alguma luz
a espera de algum talvez

A graça e melancolia se misturam
no fundo o tum tum tum ainda bate feliz
sabendo que o universo conspira a meu favor
mesmo que as vezes a felicidade seja por um triz




domingo, 5 de setembro de 2010

O que fica


Hoje andando no calçadão de Ipanema, sentindo a brisa e o barulhinho bom de mar, percebendo a calmaria misturada em sincronia com os passos de todos os ritmos, respirações ofegantes, papos cantantes e olhares distantes, observei uma cena deveras interessante.
Do lado oposto da rua vi um garoto, no máximo uns 6 anos, talvez menos... estava sendo 'escoltado' por pai, mãe e babá, em um momente de alegria contagiante. O menino se encontrava em cima do skate, mas quem o levava era seu filhote de pit bull, amarrado na coleira e correndo o máximo que podia. Quando um sorriso começava a brotar no meu rosto com a cena, percebi na fração de segundos o desastre... o cachorro continuou correndo, e o rapazinho segurando, porém o skate resolveu parar. Resultado, o pobre foi beijar o chão, estatelando-se. Por sorte a queda foi pequena em função de sua estatura, mas ainda assim não é agradável pra ninguém rolar em um chão de concreto em alta velocidade.
Bom, resumo da ópera, o protagonista da história abriu o maior berreiro, que deu pra se ouvir até em Copacabana. Ele ganhou uns bons ralados, mas eu, mera espectadora, ganhei uma reflexão com a cena toda. Na verdade relacionei-a com algo similar que aconteceu com meu priminho de 3 anos... fomos ao sítio e ele adorou brincar de escorregar o morro em um pedaço de papelão. Passou a tarde entretido com a brincadeira, até que, fatalmente, levou um rola. E chorou, chorou, chorou. Poxa, pensei nas duas situaçãoes... você se divertiu tanto em uma nova experiência, foi ao auge da alegria com a conquista, mas no fim quando algo deu errado ficou tão triste? Será que o que você recebeu de positivo com isso não é maior que a dor?
Porque no fim das contas o que fica marcado é o negativo? Passamos a vida semeando relações, nos esforçando, abrindo mão de muitas coisas e passando por cima de algumas coisas para achar um meio termo, mas se algo que fazemos desagrada a pessoa, a mágoa fica, gritando bem mais forte que a gratidão por as outras mil coisas antes feitas...
Será que existe algum jeito de tornar as lembranças e sensações positivas mais presentes em nós do que as negativas? Será que esse tipo de reação às situações negativas é instintiva ou criamos essa mania ao longo do tempo?
Que seja eterno enquanto dure, e que quando acabar que a memória eterna seja a agradável, não a dolorosa.

[Por July Tilie]

La belle vert

Quero se livre para andar contra o vento, sem destino
ser livre pra mudar quando quiser de opinião,
e ter a liberdade de dizer sim, e de dizer não

Quero ter a liberdade de poder conter o mundo em mim
assim como de fugir dele quando for preciso.
me libertar tanto pro choro quanto pro riso

Ser livre não no sentido de fazer tudo o que desejo na hora que quiser
pois ai minhas vontades seriam livres enfim,
e eu, escrava delas, fugindo na verdade de mim

Liberdade me é conceito estranho
fácil de entender e difícil de explicar
objeto constante que vivo a procurar

Liberdade de sorrir e gargalhar
de amar e me deixar levar
viver por inteiro e deixar pra lá essa história de julgar.

[Por July Tilie]

sábado, 28 de agosto de 2010

PAths

Sofre mais quem espera sempre ou quem nunca esperou ninguém?
Porque esse vazio se desde o começo nada tinha?
e de onde vem a certeza que é o amor e não a raiva que me afasta,
vem também a certeza que o copo quebrou em minha boca...
só me falta a escolha de engoli-lo ou não.
Racionalmente, escolha óbvia...
mas, ah... cadê a razão, companheira que há tempos largou de mim?
Parece que resolveu visitar só pra sussurar-me a resposta...
e assim vem a dor, que por um lado me deixa feliz...
Insanidade? Não!
Só feliz pela lembrança que tenho um coração.

[Por July Tilie]